Você não precisa de um site para aparecer no Google. Precisa de um site para o que vem depois.
Faça um teste antes de continuar lendo. Pegue o celular, abra o Google e digite o nome do seu negócio junto com o nome da sua cidade.
Se apareceu um quadro à direita com endereço, telefone e horário, você já tem metade do caminho andado. Se apareceu o concorrente, ou uma página do Facebook que você não atualiza desde 2021, ou simplesmente nada, é disso que este texto trata.
E a primeira coisa a dizer é que a solução imediata não é um site. É uma ficha gratuita que leva vinte minutos para criar.
O que fazer hoje, de graça
Chama-se Perfil da Empresa no Google, o mesmo que muita gente ainda conhece como Google Meu Negócio. É aquele quadro que aparece quando alguém pesquisa um comércio, com o mapa, as fotos, as avaliações e o botão de ligar.
Criar não custa nada. O próprio Google diz, na página de ajuda: você pode adicionar ou reivindicar sua empresa sem custo.
Se o seu negócio ainda não aparece:
- Acesse
business.google.com/add - Clique em adicionar sua empresa
- Preencha nome, categoria, endereço e telefone
- Escolha uma forma de verificação e conclua
Se já aparece, mas não é você quem controla:
- Procure o negócio no Google Maps
- Toque em "Reivindicar esta empresa"
- Escolha a verificação e siga as instruções
A verificação existe para provar que o negócio é seu. Costuma ser por vídeo, telefone ou carta enviada ao endereço. É chato, leva alguns dias, e é o passo que a maioria das pessoas abandona no meio. Não abandone. É ele que destrava tudo.
Depois de verificado, faça três coisas: escolha a categoria mais específica possível (não "loja", mas "loja de material de construção"), coloque o horário real de funcionamento, e suba fotos de verdade: do lugar, da equipe, do trabalho pronto. Fotos tiradas com celular, bem iluminadas, valem mais do que banco de imagens.
Isso já vai te colocar no mapa. Literalmente.
Onde essa ficha para de resolver
Agora a parte que quase ninguém conta.
O perfil do Google é excelente para uma coisa muito específica: alguém que já decidiu o que quer e está procurando onde conseguir. "Chaveiro 24h", "buffet infantil perto de mim", "contador em Curitiba". Nesse momento, quem tem perfil bem feito aparece e quem não tem, não existe.
Mas ele tem três limites que não dá para contornar com esforço.
O espaço é minúsculo. Você tem um nome, uma categoria, algumas linhas e fotos. Não cabe explicar por que o seu serviço é diferente, mostrar um caso que deu certo, detalhar como funciona o processo. Se a sua venda depende de explicar alguma coisa, o perfil não explica.
Você está do lado dos concorrentes. O resultado do Google mostra você e mais três, um embaixo do outro, com nota e distância. É uma vitrine compartilhada. Quando o cliente clica em cada um para decidir, quem tem para onde levá-lo ganha uma conversa que os outros não têm.
Você não é dono daquilo. O perfil vive dentro do Google, sob as regras do Google. Perfis são suspensos por motivos que nem sempre fazem sentido, e recuperar é um processo lento. Tudo o que você construiu de avaliações e fotos fica refém de uma decisão que não é sua.
"Mas eu tenho Instagram"
Tem, e provavelmente deveria continuar tendo. Só que Instagram e site resolvem problemas diferentes, e trocar um pelo outro custa caro de um jeito silencioso.
O Instagram funciona para quem já te conhece ou te descobriu por acaso no meio da rolagem. É relacionamento e lembrança de marca.
O Google funciona para quem está procurando agora e ainda não sabe que você existe. É intenção de compra.
São dois momentos distintos do mesmo cliente. E há uma diferença prática que pesa: o que você publica no Instagram some do feed em dois dias e não é encontrável por busca. Uma página bem escrita sobre o seu serviço continua sendo achada por anos, por gente que nunca ouviu falar de você.
Há ainda o detalhe de quem manda. A conta é da plataforma. Alcance cai, regra muda, conta é bloqueada por engano. Quem construiu tudo lá dentro descobre que estava construindo em terreno alugado.
Quando o site deixa de ser opcional
Ninguém precisa de site só porque site é bonito. Vale a pena quando aparece um destes sinais:
Você repete a mesma explicação todo dia no WhatsApp. Preço, prazo, como funciona, o que está incluído. Isso é uma página que trabalha por você enquanto você atende outro cliente.
Você vende para empresa, não só para pessoa. Comprador de empresa pesquisa o fornecedor antes de responder. Não achar nada é, na prática, um "não".
O que você vende precisa de prova. Obra, reforma, saúde, consultoria, serviço técnico. Antes e depois, casos, credenciais. Nada disso cabe numa ficha do Google.
Você quer aparecer para quem procura o serviço, não o seu nome. Aparecer em "reforma de fachada em Fortaleza" exige conteúdo com aquele assunto. O perfil do Google não faz isso.
Se nenhum desses é o seu caso, se você é autônomo com agenda cheia por indicação e não quer crescer, o perfil gratuito pode ser suficiente. Não faz sentido te vender algo que você não vai usar.
"A inteligência artificial não faz site em um clique?"
Faz, e é verdade que fazer as páginas ficou muito mais rápido. Mas fazer o site nunca foi a parte cara.
O que continua dando trabalho é o resto: registrar e renovar o domínio todo ano, manter a hospedagem de pé, fazer o formulário realmente entregar o e-mail na sua caixa em vez de cair no spam, colocar o aviso de cookies que a LGPD exige, cadastrar o site no Google para ele ser indexado, e atualizar quando você mudar de telefone, de endereço ou de serviço.
O site pronto é o começo da conta, não o fim. É por isso que tanta gente tem um site bonito de 2023 com o telefone antigo. Foi feito uma vez e nunca mais teve dono.
O que exigir de qualquer fornecedor
Se você for contratar alguém, nós ou qualquer outro, peça que esteja escrito:
- Em nome de quem fica registrado o domínio. Tem que ser o seu.
- Quem paga e mantém a hospedagem, e o que acontece se você sair.
- Se o formulário de contato entrega mesmo o e-mail, e para qual endereço.
- Se o site é cadastrado no Google Search Console. Sem isso o Google demora muito mais a te encontrar.
- Quem faz as alterações depois de pronto, e quanto custa cada uma.
- Se o aviso de cookies e a política de privacidade estão incluídos.
Um fornecedor sério responde isso em dois minutos. Se a resposta for vaga, o problema aparece no ano seguinte.
Comece pelo que não custa nada
Independente de você contratar alguém algum dia, faça hoje o do primeiro parágrafo. Crie ou reivindique o seu perfil no Google, escolha a categoria certa, ponha o horário real e suba fotos decentes. São vinte minutos e é o melhor retorno que o seu tempo vai ter este mês.
Só depois disso vale pensar em site. E aí a pergunta não é quanto custa, é se o seu negócio está em algum dos casos lá de cima. Se não estiver, guarde o dinheiro.
Na BytesHouse a gente constrói e cuida de sites para poucas empresas por vez, quase sempre chegando por indicação de quem já trabalha com a gente. Não é volume, e é de propósito: manter site no ar de verdade, atualizado e sendo encontrado, dá trabalho todo mês, e esse trabalho não escala bem.
Se o que está escrito aqui em cima descreve o seu momento, o contato está no rodapé.